
A reportagem do portal Direito e Ordem revelou que a ação penal movida pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA) contra o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Rodrigues Bonfim, passou a tramitar sob segredo de justiça após mais de três anos de andamento público. O processo, iniciado em março de 2022, investiga supostos crimes de associação criminosa, fraude em licitação e armazenamento irregular de substâncias tóxicas. A denúncia foi assinada pelo ex-procurador-geral de Justiça Eduardo Jorge Hiluy Nicolau.
De acordo com o MP, a movimentação financeira global dos investigados teria alcançado R$ 44 milhões, com operações fracionadas destinadas a mascarar o desvio de recursos públicos. A investigação começou após uma denúncia anônima que apontava irregularidades no Pregão Presencial nº 26/2018, realizado para fornecimento de combustíveis à prefeitura. A empresa vencedora, Auto Posto Fortaleza Ltda, estaria ligada ao próprio Lahesio, que, segundo as investigações, seria proprietário oculto de um posto de combustíveis utilizado para abastecer veículos da administração municipal.
O Ministério Público detalha que o estabelecimento, embora vencedor da licitação, encontrava-se desativado durante todo o ano de 2018, reabrindo apenas em 2019, após reforma estrutural. A acusação sustenta que o posto teria sido usado para justificar notas fiscais e movimentações fictícias de combustível, com o objetivo de desviar verbas públicas. Além de Lahesio, outros nomes figuram como réus no processo, sendo todos denunciados por atuarem de forma organizada para fraudar o caráter competitivo da licitação.
O juiz Douglas Lima da Guia, titular da 4ª Vara de Balsas, decidiu que, mesmo após Lahesio deixar o cargo de prefeito, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) permanece competente para julgar o caso, uma vez que os crimes teriam sido cometidos durante o exercício do mandato e em razão das funções públicas desempenhadas. O entendimento segue a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual a prerrogativa de foro subsiste mesmo após o fim do mandato, desde que os fatos tenham relação direta com o cargo exercido.
Atualmente, o processo está sob a relatoria do desembargador Sebastião Joaquim Lima Bonfim e encontra-se inacessível ao público devido à decretação do segredo de justiça. A decisão, segundo o Direito e Ordem, marca uma nova fase da ação penal, que pode ter reflexos diretos na elegibilidade política de Lahesio Rodrigues Bonfim — nome cotado para disputar novamente eleições no Maranhão. O site também criticou o uso indevido de suas informações por veículos que reproduzem o conteúdo sem citar a fonte, reforçando seu compromisso com a transparência e o jornalismo investigativo.