O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), Paulo Velten, confirmou que Imperatriz perdeu, de forma definitiva, o direito de realizar segundo turno nas eleições municipais de 2024. O motivo foi a queda no número de eleitores aptos, após o cancelamento de aproximadamente oito mil títulos, por irregularidades como ausências não justificadas em três eleições consecutivas. Com isso, o eleitorado da cidade, que havia ultrapassado 201 mil, recuou para pouco mais de 193 mil — abaixo do limite legal exigido para a realização de segundo turno.
A reversão do cenário ocorreu justamente após uma intensa campanha da Justiça Eleitoral para aumentar o número de eleitores em Imperatriz. No entanto, o esforço foi minado por fraudes cometidas em municípios vizinhos, como São Pedro da Água Branca, onde o então candidato a prefeito, Samuel Ribeiro (PL), foi flagrado promovendo transferências ilegais de títulos eleitorais. Em vídeo divulgado pelo blog Matias Marinho, Ribeiro aparece pedindo votos a moradores de Imperatriz que transferiram seus títulos exclusivamente para garantir sua eleição.
“Vocês são de Imperatriz (…) não têm interesse na cidade de São Pedro da Água Branca. Mas podem contribuir com o futuro daquela cidade”, disse Ribeiro no vídeo, deixando evidente o caráter fraudulento da manobra. A diferença de votos na eleição de outubro de 2024 foi de apenas 377 — exatamente o número de títulos transferidos de forma suspeita. Ribeiro venceu com 4.424 votos (52,23%), contra 4.047 votos (47,77%) de sua adversária, Marília Gonçalves (MDB).
As denúncias não pararam por aí. Vídeos mostraram vans lotadas transportando eleitores de um município para outro. Em uma das imagens, uma eleitora ironiza a movimentação: “Tem que mandar mais ônibus, que as vans não estão dando conta. A bagaceira tá grande”. O uso de transporte em massa reforça a tese de um esquema organizado para interferir no resultado eleitoral de São Pedro da Água Branca.
Durante a mobilização pelo segundo turno em Imperatriz, o juiz eleitoral Delvan Tavares chegou a anunciar, ainda em março de 2024, que a cidade estava muito próxima de alcançar a meta de 200 mil eleitores. Contudo, as transferências fraudulentas de títulos eleitorais para cidades menores da região frustraram a iniciativa. “Infelizmente, enquanto trabalhávamos para fortalecer a democracia, outros agiam para esvaziá-la”, lamentou o magistrado na época.
Paulo Velten, ao confirmar a perda do segundo turno em Imperatriz, defendeu que os responsáveis pelas fraudes sejam investigados e punidos. Ele afirmou que o crime eleitoral já foi consumado e que agora cabe à Justiça restaurar a credibilidade do processo democrático. “É dever das instituições proteger a legitimidade do voto e responsabilizar os que atuaram contra a vontade soberana do eleitorado”, destacou o presidente do TRE-MA.