TCU aprova contas de Lula com ressalvas e alerta sobre dívida pública e renúncias fiscais

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (10), as contas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes ao exercício de 2025.

Apesar da aprovação, os ministros seguiram o parecer do relator, Benjamin Zymler, que apontou uma série de ressalvas relacionadas à execução orçamentária e financeira da União. Entre os pontos destacados estão falhas na análise de um empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, o crescimento da dívida pública e o elevado volume de renúncias fiscais concedidas pelo governo.

O relatório também alertou para a rigidez do orçamento federal, já que mais de 91% das despesas são obrigatórias, além de destacar que as renúncias fiscais somam R$ 544 bilhões, o equivalente a 4,7% do PIB.

Embora tenha reconhecido o cumprimento da meta fiscal dentro das regras vigentes, o TCU observou que o déficit do Governo Central alcançou R$ 58,6 bilhões. O parecer aprovado será agora encaminhado ao Congresso Nacional, responsável pela análise final e julgamento das contas do governo federal.

Operação da PF investiga desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas no Maranhão

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (10), a Operação Fundo Oculto para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024 no Maranhão. De acordo com as investigações, duas organizações criminosas teriam movimentado cerca de R$ 10 milhões por meio de empresas contratadas por prefeituras maranhenses.

Após receberem pagamentos dos contratos, os valores eram sacados em espécie ou transferidos para contas de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos. A PF também aponta o envolvimento de um gerente bancário que atuava em São Luís.

As apurações identificaram um aumento expressivo das movimentações financeiras no período que antecedeu as eleições, além da utilização de contas de laranjas, saques em dinheiro e planilhas paralelas para controlar a distribuição dos valores. Até o momento, 15 candidatos foram apontados como beneficiários diretos ou mencionados em negociações relacionadas aos repasses investigados.

Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados, afastamento de um servidor público e bloqueio de bens avaliados em aproximadamente R$ 4 milhões. Os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade ideológica eleitoral e desvio de recursos públicos.

A dívida milionária do governo do Maranhão para prorrogar a concessão do Porto do Itaqui

A prorrogação da concessão do Porto do
Itaqui ao Governo do Maranhão, que será
oficializada nesta quinta-feira, veio
acompanhada de uma fatura pesada: quase
R$ 500 milhões.

A renovação saiu após o Estado assumir uma dívida originada de retiradas consideradas “furtivas” pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), feitas entre 2016 e 2018, durante a gestão de Flávio Dino. Os recursos foram sacados das receitas do porto e transferidos ao caixa estadual sem autorização da União.

A dívida, que começou em R$ 341,1 milhões e chegou a R$ 481,2 milhões após correção pelo IPCA, foi reconhecido em acordo firmado na AGU, encerrando disputas administrativas e judiciais. Para manter o controle do porto, o governo de Carlos Brandão (PSB) aceitou parcelar o valor em 26 anos, até 2050.

 

Justiça concede prisão domiciliar à primeira-dama e à vice-prefeita de Turilândia

A primeira-dama de Turilândia, Eva Curió, e a vice-prefeita Tanya Karla Cardoso Mendes Mendonça, presas no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público do Maranhão, tiveram a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar.

A decisão foi proferida pela desembargadora Graça Amorim, após manifestação do Ministério Público e análise de um estudo social anexado aos autos, com fundamento no Código de Processo Penal e na Constituição Federal.

Com a nova decisão, as investigadas deverão cumprir recolhimento domiciliar integral, podendo sair apenas mediante autorização judicial, além de estarem sujeitas a monitoramento eletrônico, caso haja disponibilidade do equipamento.

Também foi determinada a proibição de contato com outros investigados ou testemunhas do processo. A vice-prefeita segue afastada do cargo e, por essa razão, permanece impedida de assumir o comando da Prefeitura de Turilândia.

Justiça Federal determina encerramento definitivo das atividades de faculdade de Pinheiro 

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou a suspensão definitiva das atividades de ensino superior do Instituto de Educação Superior e Tecnológica Prof. Franbran Ltda, localizado em Pinheiro, no Maranhão.

Segundo a decisão, a instituição operava sem o credenciamento e autorização exigidos pelo Ministério da Educação (MEC), prática considerada ilegal pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres/MEC). A sentença também suspende todos os contratos com alunos e proíbe a cobrança de mensalidades até que a regularização seja comprovada.

Durante o processo, o instituto tentou justificar sua atuação com base em convênios com faculdades credenciadas, como a Faculdade da Amazônia (Faam), cuja autorização, no entanto, é restrita ao município de Ananindeua, no Pará, não permitindo expansão ou terceirização de atividades.

A Justiça considerou essas parcerias inválidas e reconheceu que a conduta do Instituto Franbran já havia sido registrada em outros municípios. A instituição não demonstrou cumprimento da liminar anterior nem apresentou regularização junto ao MEC. Diante da gravidade, a decisão impõe multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento e alerta para possíveis responsabilizações criminais.

Esquema milionário de corrupção com livros didáticos atinge prefeituras no Maranhão

Investigações da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF) têm revelado um amplo esquema de corrupção envolvendo prefeituras do Maranhão na aquisição de livros didáticos. As práticas ilícitas incluem uso indevido de inexigibilidade de licitação, superfaturamento e pagamento de propinas, gerando prejuízos milionários aos cofres públicos.

O modus operandi é quase sempre o mesmo: empresas previamente escolhidas recebem atestados de exclusividade emitidos pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), elaboram pareceres pedagógicos frágeis ou copiados e, com apoio de secretarias de educação, firmam contratos com valores inflados e entregas fictícias.

A chamada Operação Livramento, deflagrada em abril de 2025, escancarou um dos episódios mais graves, envolvendo a prefeitura de Barra do Corda, que comprou mais de sete mil livros além da quantidade de alunos matriculados, com prejuízo estimado em R$ 3,4 milhões. Já a Operação Mascate, em 2020, revelou esquema semelhante em Buriti Bravo. Nos dois casos, os contratos foram custeados com recursos do Fundef e contam com indícios de repasses ilegais a agentes públicos.

Até abril de 2025, os valores contratados por diversas prefeituras maranhenses utilizando esse tipo de expediente ultrapassam R$ 47 milhões. Novas empresas e municípios envolvidos já estão na mira da PF e serão tema de reportagens futuras. Enquanto isso, alunos seguem sem os livros pagos com dinheiro público.

Maranhão é alvo de investigações por fraudes na Educação de Jovens e Adultos

Uma reportagem exibida pelo programa Fantástico no último domingo (24) revelou um levantamento da Controladoria Geral da União (CGU) sobre possíveis fraudes na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 35 municípios de 13 estados brasileiros, incluindo o Maranhão. O censo escolar de 2022, utilizado para a liberação de verbas do Fundeb, teria sido inflado por prefeituras para receber mais recursos federais, com uma média de R$ 5 mil por aluno matriculado.

No Maranhão, dez cidades estão sob investigação da CGU, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas do Estado. Em São Bernardo, um dos municípios apontados, a reportagem obteve um áudio de uma agente de saúde disseminando informações falsas para captar alunos para a EJA. Famílias inteiras foram matriculadas sem consentimento, segundo denúncias.

O procurador regional da República, Juraci Guimarães, classificou o caso como um “escândalo no sistema de educação”. Após as investigações, prefeituras informaram que corrigiram os dados, e o número de matriculados na EJA caiu 30% no estado em 2024, enquanto em São Bernardo a redução foi superior a 67%.

Sociedade civil aciona Justiça após desabamento da ponte Juscelino Kubitschek

O desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, que conectava Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), levou seis associações a entrarem com uma ação judicial contra o governo federal e o Dnit, exigindo reparação às vítimas e medidas emergenciais. O colapso, ocorrido em 22 de dezembro, causou 14 mortes, três desaparecimentos e graves prejuízos econômicos e ambientais.

O processo foi protocolado na 2ª Vara Federal de Imperatriz e inclui demandas como a criação de um fundo emergencial, reconstrução da ponte, retirada de cargas perigosas do Rio Tocantins e instalação de soluções provisórias para o tráfego local.

O comércio e a pesca na região foram severamente afetados, com impactos no transporte de mercadorias e contaminação das águas do rio. As associações pedem ainda a declaração de estado de calamidade pública para liberação de recursos federais e a suspensão de tributos para empresas e trabalhadores locais por 12 meses. Até o momento, o governo federal e o Dnit não se pronunciaram sobre o caso.

Pedro Lucas Fernandes reforça compromisso municipalista em 2025

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes destacou que irá intensificar sua atuação municipalista em 2025, com foco em pautas que garantam os direitos básicos da população maranhense. O parlamentar enfatizou seu compromisso com áreas como agricultura familiar, saúde, esporte, educação, e a geração de emprego e renda.

“Meu compromisso com o mandato municipalista seguirá firme neste ano. Continuarei fortalecendo a agricultura familiar e a saúde, apoiando o esporte e a educação e incentivando a geração de emprego e renda. Estarei ouvindo de perto as demandas das nossas cidades e, juntos, buscaremos soluções que melhorem a vida das pessoas”, afirmou Pedro Lucas.

Reconhecido por sua atuação como intermediário entre prefeituras e o governo federal, o deputado tem contribuído para destravar recursos e ampliar o acesso a programas federais. Sua proximidade com as comunidades reforça a percepção de representatividade e facilita a elaboração de políticas públicas adaptadas às necessidades locais.

73% das queimadas no Amazonas ocorrem em áreas federais

Dos 19.478 focos de calor identificados no Amazonas neste ano, 73% foram localizados em áreas federais (37%), destinadas a assentamentos da reforma agrária (28%), terras indígenas (5%) e unidades de conservação federal (3%).

Todas essas áreas, em tese, são de responsabilidade do governo federal, que tem o dever de protegê-las das queimadas, que chegaram a níveis alarmantes em 2024.

Os dados foram informados na última quinta-feira (19) pelo secretário de Meio Ambiente do estado, Eduardo Taveira, numa audiência com o ministro Flávio Dino, que conduz no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação para tentar resolver o problema.

“Hoje, 73% dos focos de queimadas são em áreas do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] e glebas federais não destinadas”, disse Taveira na reunião.

A audiência contou com a presença de representantes de todos os estados que compõem a Amazônia, do governo federal, da Rede e do PT – partidos envolvidos no processo judicial.

O dado do Amazonas chamou a atenção de Dino, que mandou a Advocacia-Geral da União (AGU), que representa o governo federal no caso, se manifestar sobre o problema em até 30 dias.

O ministro também cobrou várias outras informações sobre a atuação do governo federal no combate às queimadas, a partir de queixas dos estados sobre a falta de apoio.

Na audiência, Taveira relatou que o estado acaba tendo de arcar praticamente sozinho com o combate a queimadas e desmatamento em áreas federais.

“Não temos recursos fundo a fundo para operação. Praticamente 100% dos recursos para operação das secretarias de meio ambiente e sistemas estaduais são próprios, mesmo em áreas federais, e não há um ressarcimento disso. Não temos um sistema único de meio ambiente, como é o SUS. Isso seria para ontem do ponto de vista de estruturação”, disse.

Taveira disse que, em abril deste ano, se reuniu com o governo federal e vários municípios do estado para informar a iminência da atual crise de queimadas no estado.

“Se as informações climáticas que nós temos de persistência da seca até dezembro, e alguns dados indicando até fevereiro, [se confirmarem,] provavelmente essa crise climática será sem precedentes”, disse o secretário.