Moraes contesta laudo de Alzheimer de Augusto Heleno e abre debate sobre autoridade médica

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de contestar o laudo que aponta Alzheimer no general Augusto Heleno abriu uma nova frente de questionamentos no caso.

Ao determinar que peritos da Polícia Federal avaliem novamente o diagnóstico e apresentem exames complementares como ressonância magnética, tomografia e análises de sangue o ministro, na prática, coloca em debate a autoridade do médico responsável pelo laudo inicial.

A medida levanta dúvidas sobre a possibilidade de conflito entre diagnósticos, eventual responsabilização de médicos e advogados por informações consideradas falsas e o risco de uma disputa de versões técnicas dentro do próprio processo judicial.

O caso também reacende críticas sobre a uniformidade dos critérios adotados pelo STF em situações semelhantes. Moraes justificou a decisão apontando contradições na data em que a doença de Heleno teria sido descoberta, mas a exigência de revalidação do diagnóstico contrasta com episódios anteriores como o que envolveu Jair Bolsonaro e a tornozeleira eletrônica, quando não houve solicitação de parecer técnico da PF sobre a alegação de surto medicamentoso.

A nova determinação, portanto, amplia o debate sobre os limites entre avaliação médica, atuação pericial e interpretação jurídica em casos de alta repercussão política.

Oposição protocola pedidos de impeachment contra ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes

A oposição no Congresso Nacional apresentou, nesta quarta-feira (15), dois pedidos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e Alexandre de Moraes.

As ações reacendem o debate sobre o papel e os limites de atuação do Judiciário em temas de caráter político e administrativo.

O pedido contra Dino, assinado por dez senadores, alega violação à liberdade de expressão, conflito de interesses e participação em eventos políticos.

Entre os pontos citados, está a decisão que determinou a retirada de quatro obras jurídicas acusadas de conter conteúdo homofóbico, medida que, segundo os oposicionistas, configuraria censura.

O segundo pedido, protocolado por 90 deputados federais e liderado por Marcel van Hattem (Novo-RS), aponta “erro grave” e “abuso de autoridade” de Alexandre de Moraes em decisão que manteve preso o ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, sob a alegação de fuga para os Estados Unidos, informação posteriormente desmentida por autoridades norte-americanas.

Ambos os pedidos foram entregues ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que decidirá se dará prosseguimento às ações.

A demora em pautar pedidos anteriores tem gerado críticas da oposição, que acusa o comando do Senado de proteger ministros da Suprema Corte.

Alexandre de Moraes autoriza Daniel Silveira a cumprir pena em regime aberto

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (29) a progressão do ex-deputado Daniel Silveira para o regime aberto.

A decisão atendeu a pedido da defesa e reconheceu que o ex-parlamentar já cumpriu quatro anos e um mês da pena de oito anos e nove meses imposta em 2023, quando ele foi condenado por tentar impedir o livre exercício dos poderes e por coagir ministros da Corte com ameaças e ofensas. O parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi favorável à mudança.

Na decisão, Moraes estabeleceu condições obrigatórias que Silveira deverá cumprir. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno durante a semana, permanência integral em casa nos finais de semana, proibição de uso de redes sociais e de deixar a comarca sem autorização judicial.

O ex-deputado permanece sob monitoramento do Judiciário, e qualquer descumprimento poderá resultar no retorno a um regime mais rigoroso.

Moraes afirma que Bolsonaro liderou organização criminosa em tentativa de golpe

Na retomada do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro liderou uma organização criminosa entre julho de 2021 e janeiro de 2023.

Segundo Moraes, o grupo atuava de forma permanente, com hierarquia e divisão de tarefas, praticando atos que tinham como objetivo desestabilizar instituições democráticas e viabilizar um golpe de Estado.

O ministro apresentou uma cronologia de 13 ações que, em sua avaliação, comprovam a estrutura da organização criminosa, incluindo a propagação de narrativas conspiratórias, pressões institucionais e ataques ao Judiciário e à Justiça Eleitoral.

Moraes também alertou para o uso político das Forças Armadas e destacou o papel das chamadas “milícias digitais” na disseminação de mentiras contra o sistema eletrônico de votação. Até agora, o relator rejeitou todas as preliminares das defesas e prossegue com a análise do mérito, etapa que definirá a condenação ou absolvição dos oito réus.

Relatório de ONG americana aponta supostos abusos de ministros do STF e TSE 

Uma denúncia repercutida nesta terça-feira (5) pelo site Direito e Ordem e baseada em relatório da organização norte-americana Civilization Works aponta possíveis irregularidades cometidas por integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) durante as investigações dos atos de 8 de janeiro de 2023, quando os prédios dos Três Poderes foram invadidos por manifestantes.

O documento acusa os ministros de atuarem fora dos canais legais, com a criação de estruturas paralelas de vigilância e o uso indevido de dados sensíveis.

O ministro Alexandre de Moraes, que à época presidia o TSE e integrava o STF, é citado como o principal responsável por uma suposta estrutura informal de inteligência, que teria utilizado equipes de monitoramento eleitoral para identificar e manter presos manifestantes, por vezes sem o devido processo legal.

O relatório afirma ainda que dados biométricos teriam sido usados sem respaldo judicial, e que advogados de defesa foram impedidos de acessar documentos usados para justificar prisões.

Até o momento, STF, TSE, ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República não se pronunciaram oficialmente sobre o conteúdo do relatório.

Nikolas Ferreira divulga “placar” de senadores sobre impeachment de Alexandre de Moraes

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou neste fim de semana um “placar atualizado” com as posições de senadores sobre o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa ganhou força após novas pressões da direita, especialmente após o magistrado ser alvo de sanções dos Estados Unidos, incluindo o cancelamento de visto e a aplicação da Lei Magnitsky, voltada a punir violações de direitos humanos e corrupção.

Segundo os dados da plataforma votossenadores.com.br, que reúne manifestações públicas dos parlamentares, 34 senadores se declararam favoráveis ao impeachment, 19 são contrários e outros 28 permanecem indefinidos.

No Maranhão, os senadores Weverton Rocha (PDT) e Ana Paula Lobato (PDT) se posicionaram contra o afastamento do ministro, enquanto Eliziane Gama (PSD) ainda não definiu sua posição publicamente.

Moraes diz que vai ignorar sanções e promete seguir atuando no STF

Durante a abertura do segundo semestre do Judiciário, nesta sexta-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um pronunciamento contundente em resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos.

Ele afirmou que continuará exercendo seu papel constitucional “de forma colegiada” e rejeitou o que chamou de tentativas de intimidação. “Este relator vai ignorar as sanções aplicadas e vai continuar trabalhando”, disse Moraes, referindo-se diretamente à inclusão de seu nome na lista da Lei Magnitsky — legislação americana usada para punir acusados de corrupção e violações de direitos humanos.

Em tom firme, o ministro classificou as pressões externas e internas como “ameaças covardes e infrutíferas” e defendeu a soberania nacional, alertando para articulações que visam descredibilizar o STF e enfraquecer o sistema democrático. Moraes denunciou pressões para anistiar envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, bem como tentativas de forçar pedidos de impeachment de ministros da Corte.

“Acham que estão falando com milicianos, mas estão falando com ministros da Suprema Corte brasileira”, disparou. O episódio marca um ponto de tensão diplomática entre Brasil e EUA, com o governo Lula e autoridades brasileiras manifestando apoio explícito a Moraes e rechaçando o que consideram uma violação da soberania institucional do país.

Jantar de Lula com ministros do STF expõe divisões após sanção dos EUA a Moraes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu, na noite desta quinta-feira (31), seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em um jantar no Palácio da Alvorada, em um gesto simbólico de apoio ao ministro Alexandre de Moraes, sancionado pelos Estados Unidos sob a acusação de violar direitos humanos.

Estiveram presentes os ministros Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Apesar do convite a todos os integrantes da Corte, cinco ministros não compareceram: Luís Fux, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça, ausências interpretadas nos bastidores como sinal de cautela ou distanciamento da articulação política liderada pelo Planalto.

Sem declarações públicas ao final, o encontro reforçou o apoio institucional a Moraes diante da pressão externa, mas também escancarou divisões internas no STF em um momento delicado, às vésperas da retomada dos trabalhos do Judiciário, marcada para esta sexta-feira (1º).

Moraes pode decidir hoje sobre possível descumprimento de medidas cautelares por Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve tomar uma decisão ainda nesta quarta-feira (23) sobre as explicações apresentadas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após a divulgação de um vídeo que pode ter violado medidas cautelares impostas pela Corte.

As restrições, determinadas em 18 de julho, incluem o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar, proibição do uso de redes sociais (inclusive por terceiros) e de contato com outros investigados.

No vídeo, Bolsonaro aparece no Congresso Nacional exibindo a tornozeleira e concedendo entrevista, o que, para Moraes, poderia configurar descumprimento das ordens judiciais.

A defesa do ex-presidente argumenta que ele não publicou o vídeo nem solicitou sua divulgação, e sustenta que não sabia que entrevistas poderiam ser consideradas violação da medida, já que esse ponto não estaria claramente definido.

Os advogados também pediram esclarecimentos sobre os limites da proibição de manifestações públicas. Moraes pode optar por decidir diretamente, encaminhar o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) ou, em caso de entender que houve descumprimento deliberado, decretar a prisão preventiva de Bolsonaro.

O ex-presidente é réu no STF por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Bolsonaro é aguardado em atos de apoio na Câmara durante recesso parlamentar

Apesar de estar proibido de usar redes sociais e cumprir medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar noturno, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é esperado nesta terça-feira (22) na Câmara dos Deputados para participar de atos políticos organizados por aliados.

Duas comissões da Casa, ambas presididas por parlamentares do PL, convocaram reuniões deliberativas com pautas que incluem moções de apoio e solidariedade ao ex-presidente, em reação às medidas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As reuniões ocorrem em meio ao recesso parlamentar, que foi mantido por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mesmo após apelos da oposição para a suspensão das férias.

Motta alegou que há obras em andamento nas dependências da Casa. Na Comissão de Segurança Pública, o deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) pautou moção que acusa o STF de promover perseguição política.

Já na Comissão de Relações Exteriores, presidida por Filipe Barros (PL-PR), deputados devem votar propostas que repudiam as medidas do Supremo e exaltam Bolsonaro.

O movimento reforça o embate institucional entre o Legislativo e o Judiciário, e antecipa o tom dos enfrentamentos esperados para agosto, com a possível retomada de debates sobre decisões monocráticas do STF, foro privilegiado e a CPI do Abuso de Autoridade.