Cadê o dinheiro? Com R$ 8 milhões do orçamento secreto, saúde de Bernardo do Mearim está um verdadeiro caos

O pequeno município de Bernardo do Mearim, comandada pelo prefeito Júnior Xavier (PDT), irmão do prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), está entre as cidades que mais foram beneficiadas com recursos federais oriundos do orçamento secreto que deveriam ser destinados à saúde.

Uma reportagem da Revista Piauí destaca que o município recebeu mais de R$ 8 milhões do orçamento secreto este ano, no entanto, a saúde pública municipal segue sucateada, a exemplo das condições estruturais das unidades básicas de saúde.

Segundo a Piauí, em 2021, Bernardo do Mearim seguiu o exemplo da pioneira Igarapé Grande, e recebeu 10.000% a mais de recursos do (orçamento secreto) do que o enviado pelo SUS.

A revista destacou que em outubro de 2020, a prefeitura registrara 2 240 consultas especializadas. Nos dois últimos meses do ano, porém, já com Júnior Xavier eleito, as consultas dispararam para 235,6 mil, atingindo uma média exorbitante de 39 consultas por habitante no ano. Com isso, a prefeitura ampliou seu teto de gastos para 3 milhões de reais e, no ano seguinte, recebeu o teto. A parte mais significativa – 2,5 milhões – veio do orçamento secreto.

“Hoje nós temos ginecologista, mastologista, ortopedista, pediatra, fisioterapeuta, assistente social, fonoaudiólogo. Nós temos otorrino. Nós temos em torno de umas dezessete especialidades”, disse o secretário da Saúde, Francisco da Conceição Moraes, de 46 anos, na tarde de uma quinta-feira de junho.

No mesmo dia, a Piauí visitou o hospital municipal. Encontrou apenas um clínico geral. Por volta das 17 horas, a revista se preparava para visitar a Unidade Básica de Saúde quando foi informada de que as atividades já haviam sido encerradas. Com o exemplo de Igarapé Grande e Bernardo do Mearim, outras cidades maranhenses tomaram o mesmo caminho.

Em um trecho da reportagem, a revista informou que procurou todos os dezoito deputados, os três senadores do Maranhão e cinco exparlamentares que, em algum momento, exerceram mandato nesta legislatura, para perguntar quanto cada um mandou de verbas ao estado por meio do orçamento secreto. Dos 26 acionados, 21 não quiseram informar os dados ou não deram retorno. O senador Weverton Rocha (PDT) está entre eles.