Carla Zambelli renuncia ao mandato após decisão do STF

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) renunciou ao mandato parlamentar, conforme comunicado oficializado neste domingo (14) à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados.

A decisão ocorre após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na última quinta-feira (11) declarou nula a deliberação da Câmara que havia mantido a parlamentar no cargo, mesmo após condenação criminal definitiva.

Segundo Moraes, a perda do mandato é automática nos casos de condenação com trânsito em julgado, conforme prevê o artigo 55 da Constituição Federal, não cabendo ao Legislativo decidir pela manutenção do cargo.

O ministro determinou ainda que a posse do suplente seja realizada no prazo máximo de 48 horas e apontou que a rejeição da cassação pelo plenário violou princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade.

Carla Zambelli foi condenada em duas ações penais no STF, incluindo penas de 10 anos e de 5 anos e 3 meses de prisão, e atualmente encontra-se presa na Itália, aguardando decisão das autoridades locais sobre o pedido de extradição.

Secretária Judicial é presa por fraudes em São Luís

Na quinta-feira, 21, a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) protagonizou uma operação que resultou na prisão de Lívia Azevedo Veras Dias, secretária judicial da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís. A ação se desdobrou após acusações de envolvimento em esquemas de fraude relacionados à emissão de alvarás judiciais e lavagem de dinheiro.

Lívia Azevedo Veras Dias, até então ocupante do cargo de secretária judicial, teve sua prisão preventiva decretada pela juíza Denise Cysneiro Milhomem, responsável pelo Plantão Criminal da Comarca da capital. Paralelamente à sua detenção, Lívia foi exonerada de suas funções pelo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), o desembargador Paulo Velten.

A ordem de prisão emitida pela juíza Denise Milhomem seguiu uma representação elaborada pela Polícia Civil, encabeçada pelo delegado Plínio Lima, do Departamento de Combate a Roubo a Instituições Financeiras. Além da detenção de Lívia, também foi solicitada e autorizada a prisão da advogada Jéssica Silva Pinto, embora esta última ainda não tenha sido capturada até o momento.

Os desdobramentos que culminaram na prisão de Lívia Dias tiveram início no dia anterior, quando a Segurança Institucional do TJMA conduziu a suspeita até a Seic. Essa medida veio à tona após a descoberta de irregularidades na emissão de alvarás judiciais provenientes da 1ª Vara da Fazenda Pública.

No decorrer das investigações conduzidas pela Seic, testemunhas relataram a identificação de alvarás associados a números de processos já arquivados, sem que houvesse decisão judicial relacionada ao bloqueio de valores. Um total de 69 alvarás foram encontrados, dos quais 66 foram pagos. Intrigantemente, todos estavam em nome da advogada Jéssica Silva Pinto, enquanto Lívia Dias era identificada como a servidora responsável pelo cadastro e emissão dos alvarás.

As investigações apontaram que a secretária judicial utilizava números de processos já arquivados no sistema PJE/TJMA, os cadastrando no sistema SISBAJUD para bloquear valores nas contas do Estado, sempre dentro do limite do RPV para evitar suspeitas. Posteriormente, os alvarás eram registrados no sistema SISCONDJ, indicando Jéssica como beneficiária, apesar de ela não ter sido parte ou ter atuado como advogada nos processos.

Ademais, descobriu-se que Lívia Dias se apropriava do TOKEN do magistrado Celso Orlando Aranha Pinheiro, ex-titular da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís, recentemente falecido, para expedir os alvarás judiciais, todos em nome de Jéssica Pinto.

No interrogatório conduzido na Seic, Lívia optou por manter-se em silêncio.