Advogado alerta para exclusão em massa: Maranhão perdeu 347 mil pescadores

Uma mudança silenciosa na política pública voltada à pesca artesanal já provoca efeitos de larga escala no Maranhão. Entre setembro de 2025 e março de 2026, o estado perdeu cerca de 347 mil pescadores com registro ativo no Registro Geral da Pesca (RGP), documento que funciona, na prática, como licença para o exercício profissional da atividade.

Sem o registro, esses trabalhadores ficam impedidos de pescar legalmente e também deixam de ter acesso ao seguro-defeso, benefício pago durante o período de proibição da pesca para preservação das espécies.

O tema foi exposto pelo advogado previdencialista Ricardo Gonçalves durante entrevista ao programa Hora D, da TV Difusora, ao analisar o impacto das novas exigências impostas pelo governo federal no processo de concessão e manutenção do registro e dos benefícios associados à atividade.

Segundo ele, o endurecimento das regras, adotado sob o argumento de combate a fraudes, acabou produzindo um efeito colateral significativo: a exclusão em massa de pescadores que exercem a atividade, mas não conseguem atender às novas exigências burocráticas e tecnológicas.

O número chama atenção. Os 347 mil pescadores excluídos representam mais da metade do contingente total da categoria no Maranhão, o que evidencia uma ruptura estrutural na política pública voltada ao setor.

Além do impacto social direto, há também reflexos econômicos relevantes. Considerando o valor médio do seguro-defeso, a retirada desse volume de beneficiários representa uma perda estimada de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em recursos federais que deixariam de circular na economia maranhense.

Na avaliação apresentada durante a entrevista, o problema não está apenas na intensificação da fiscalização, mas na forma como ela tem sido operacionalizada. As novas regras passaram a exigir atualizações frequentes em sistemas digitais, envio periódico de informações sobre a atividade pesqueira e participação em entrevistas que cobram conhecimento técnico e normativo da legislação.

Para uma parcela significativa dos pescadores artesanais, especialmente aqueles com menor acesso à tecnologia ou baixa familiaridade com processos digitais, essas exigências têm se tornado uma barreira prática para a manutenção do registro e, consequentemente, do benefício.

O cenário é agravado por mudanças recentes na condução da política pública, como o retorno da gestão ao Ministério do Trabalho, a obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Único e a realização de entrevistas presenciais em municípios que concentram a maior parte dos beneficiários — no Maranhão, 26 cidades reúnem cerca de 80% desse público.

Outro ponto destacado é a mudança na periodicidade das obrigações. Procedimentos que antes eram realizados de forma anual passaram a exigir atualizações mensais, elevando o risco de bloqueios por descumprimento de prazos ou inconsistências no envio de informações.

A consequência, segundo a análise apresentada, é um desalinhamento entre a intenção da política pública e sua execução. Enquanto o discurso oficial se ancora no combate a irregularidades, na prática, trabalhadores que dependem da atividade para subsistência acabam sendo atingidos por exigências que não conseguem cumprir.

O caso expõe uma tensão recorrente em políticas de controle: o equilíbrio entre fiscalização e acesso. No Maranhão, os dados indicam que esse ponto de equilíbrio pode ter sido ultrapassado, com efeitos diretos sobre renda, atividade econômica e inclusão produtiva em regiões onde a pesca artesanal é uma das principais fontes de sustento.

De A Carta Política

MPA suspende mais de 131 mil licenças de pesca em todo o país

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciou nesta quarta-feira (1º) a suspensão de 131.695 licenças de pescadores e pescadoras profissionais inscritos no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP).

A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 548/2025 e afeta diretamente o Maranhão, onde cerca de 90% das licenças ativas foram suspensas. Os profissionais terão até 30 dias, a partir de 6 de outubro, para recorrer da decisão.

De acordo com o MPA, a ação integra um esforço conjunto com a Polícia Federal e órgãos de controle para combater acessos irregulares e fraudes no sistema.

A secretária nacional da SERMOP, Carolina Dória, destacou que o objetivo é garantir transparência e resguardar os direitos dos pescadores artesanais.

O ministro André de Paula também reforçou que o Governo Federal seguirá adotando medidas rígidas de fiscalização e prevenção para assegurar maior controle sobre as políticas públicas da pesca no Brasil.

Fraude no Seguro Defeso em Santa Helena envolve enteado de presidente do sindicato e irmão de vereador

As denúncias de irregularidades no recebimento do Seguro Defeso em Santa Helena, no Maranhão, ganharam força após a revelação de que Rouberth Pavão, enteado da presidente do Sindicato dos Pescadores, Lurdinha Dias Pavão, e irmão do vereador Victor de Pajoca, estaria recebendo indevidamente o benefício federal.

Moradores e pescadores da região afirmam que Rouberth nunca exerceu a pesca artesanal e que leva uma vida incompatível com a realidade dos trabalhadores da categoria, o que levantou suspeitas sobre sua filiação à entidade e acesso ao programa.

Documentos que circulam nas redes sociais e em blogs locais mostram o nome de Rouberth Pavão entre os beneficiários do Seguro Defeso, ampliando a revolta dos pescadores, que classificam o caso como mais um exemplo dos chamados “pescadores fantasmas”.

O benefício, destinado por lei a trabalhadores artesanais da pesca durante o período de defeso, tem sido alvo de fraudes em diversos municípios do Maranhão, estado que lidera o ranking nacional de suspeitas. Até o momento, a presidente do sindicato, Lurdinha Pavão, não se pronunciou sobre o caso, e não há confirmação oficial de investigação pelo Ministério Público Federal ou pela Superintendência da Pesca.

Pedro Lucas Fernandes propõe ampliação do seguro-defeso para pescadores da Amazônia Legal

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União/MA) apresentou, nesta quarta-feira (09), a emenda n°3 à medida provisória 1263/2024, que busca ampliar o acesso emergencial ao seguro-defeso para pescadores de toda a região da Amazônia Legal, incluindo o Maranhão.

A proposta original beneficia apenas pescadores artesanais do Norte atingidos pela estiagem, mas o deputado argumenta que a seca afeta gravemente também o Maranhão, onde entre junho e julho deste ano, a área atingida pela seca subiu de 31% para 73%.

O seguro-defeso é um auxílio equivalente a um salário mínimo, pago pelo INSS para pescadores que dependem exclusivamente da pesca para sua subsistência, durante o período de suspensão da atividade. Segundo Pedro Lucas, as mudanças climáticas têm intensificado os efeitos da seca na Baixada Maranhense, a maior dos últimos 10 anos, resultando na morte de peixes e agravando a situação das famílias locais. O deputado defende a expansão do benefício para pescadores de todos os estados da Amazônia Legal, onde os impactos da estiagem também são severos.

MP investiga estelionato cometido por sindicatos e associações contra pescadores de Anajatuba

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) apura um caso de estelionato cometido por sindicatos e associações no município de Anajatuba.

Segundo informações, a denúncia partiu de pescadores do município que teriam se filiado e contribuído com sindicatos e associações locais, entretanto, não teriam recebido a devida contraprestação, o que, em tese, poderia caracterizar a prática de crime de estelionato (art. 171 do Código Penal).

A instituição instaurou um procedimento investigatório criminal para apuração dos fatos noticiados.

Os investigados serão notificados para que tomem conhecimento dos fatos apurados no processo, bem como apresentem comprovantes da atuação sindical em favor das vítimas junto ao INSS ou ajuizamento de ações judiciais.