Disputa por vice de Flávio Bolsonaro divide aliados na pré-campanha presidencial

A escolha do vice na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) tem provocado divisão entre aliados. Nos bastidores, a disputa opõe o grupo político ligado ao Centrão e a ala mais ideológica do entorno do parlamentar. Dois nomes concentram as atenções: a senadora Tereza Cristina (PP) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).

A preferência do Centrão é por Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e considerada um nome mais moderado, posição já defendida pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Já o núcleo mais próximo de Flávio Bolsonaro resiste à indicação e defende um vice sem ligação com grandes blocos políticos, apontando Romeu Zema como alternativa.

Além do alinhamento ideológico, pesa na avaliação o fator eleitoral de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, enquanto aliados também consideram critérios como articulação política, tempo de televisão e acesso ao fundo eleitoral na definição da chapa para 2026.

Lula lidera disputa presidencial, mas Flávio Bolsonaro aparece próximo, aponta pesquisa

A corrida presidencial de 2026 segue marcada pela polarização entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com levantamento nacional do Instituto Paraná Pesquisas, registrado sob o nº BR-00873/2026, Lula aparece na liderança no cenário estimulado com 41,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37,8%.

Outros nomes aparecem bem atrás, como Ronaldo Caiado (3,6%), Romeu Zema (3,0%), Renan Santos (1,2%) e Aldo Rebelo (1,1%). Os números indicam crescimento de Lula e de Flávio Bolsonaro em relação a outubro de 2025, quando o presidente tinha 37,6% e o senador aparecia com 19,2%.

Na simulação de segundo turno, o cenário mostra forte equilíbrio entre os dois principais nomes da disputa. Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registra 44,1%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O levantamento também aponta que 53,3% dos entrevistados afirmam que Lula não merece ser reeleito, enquanto 43,7% defendem a continuidade do atual mandato. A pesquisa ouviu 2.080 eleitores em 158 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal entre os dias 25 e 28 de março, com nível de confiança de 95%.

Flávio Bolsonaro diz que só desiste da candidatura com anistia do pai

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que sua pré-candidatura à Presidência é uma decisão “consciente” e construída ao longo do tempo, negando que seja um “balão de ensaio”.

Segundo ele, só deixará a corrida caso haja “justiça” para Jair Bolsonaro e para os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, condicionando sua desistência à aprovação da anistia no Congresso.

Flávio disse ainda que seu nome é “altamente competitivo” e destacou o governador Tarcísio de Freitas como principal liderança do grupo político, embora reconheça que o paulista deve priorizar a reeleição.

Em seu primeiro ato público após o anúncio da pré-candidatura, o senador participou de um culto em Brasília e admitiu que existe um “preço” para retirar o nome da disputa justamente a aprovação da anistia, que beneficiaria diretamente o ex-presidente, hoje preso após condenação.

Apesar de pesquisas mostrarem baixa preferência do eleitorado por seu nome, Flávio segue articulando apoio com lideranças do Centrão e deve levar os resultados das conversas a Jair Bolsonaro nos próximos dias.

Moraes autoriza filhos de Jair Bolsonaro a visitarem o ex-presidente na sede da PF em Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro visitem-no na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, onde ele está preso preventivamente desde sábado (22).

A decisão, publicada neste domingo (23), define que as visitas devem ocorrer separadamente e com duração máxima de 30 minutos para cada um.

Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro poderão visitar o pai nesta terça-feira (25), entre 9h e 11h. Já Renan Bolsonaro está autorizado a realizar a visita na quinta-feira (27), no mesmo horário.

Moraes também manteve liberadas as visitas dos advogados e da equipe médica, além de orientar a Polícia Federal sobre os procedimentos em caso de intercorrência médica, incluindo o acionamento do Samu como medida mais rápida e segura.

Neste domingo, Bolsonaro recebeu a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Alexandre de Moraes determina bloqueio de bens e contas de Eduardo Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (21) o bloqueio das contas bancárias e dos bens do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado no inquérito que apura a articulação de uma tentativa de golpe de Estado e ataques à soberania nacional.

A medida impede o parlamentar de realizar transações financeiras, incluindo o recebimento de doações via Pix — como as que teriam sido feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que afirmou já ter enviado cerca de R$ 2 milhões ao filho para custear sua estadia nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde março, quando tirou licença da Câmara alegando perseguição política.

A licença expirou no domingo (20), e ele ainda não retornou ao Brasil, o que pode abrir caminho para um processo de cassação por ausência injustificada, conforme o regimento da Casa.

O parlamentar é suspeito de incentivar autoridades norte-americanas a adotarem medidas contra o governo brasileiro e o STF.

Ao comentar o bloqueio durante participação em um podcast, Eduardo afirmou que “nada será encontrado”.

A decisão de Moraes reforça o cerco judicial contra a família Bolsonaro no avanço das investigações da chamada “trama golpista”.

PGE denuncia assessores de Flávio Dino por suposto acesso indevido a documentos

A denúncia feita pelo procurador-geral do Estado do Maranhão (PGE), Valdenio Nogueira Caminha, contra dois assessores do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, segue repercutindo amplamente.

Caminha acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que investigue Túlio Simões e Lucas Pereira, que teriam acessado sistemas internos da PGE para embasar uma ação no STF movida pelo partido Solidariedade, que buscava afastá-lo do cargo. Segundo a denúncia, o acesso aos documentos internos teria ocorrido dentro das dependências do STF.

Além da PGR, a PGE também acionou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator da ação, solicitando providências sobre o caso. A notícia-crime destaca que a Assessoria de Tecnologia da Informação (ATI) da PGE constatou acessos de Simões e Pereira a processos internos da procuradoria no dia 20 de fevereiro de 2025, um dia antes do protocolo do pedido de afastamento de Caminha.

O caso levanta questionamentos sobre possível violação de sigilo institucional e uso de informações privilegiadas dentro do Supremo.