Aliados veem desgaste político de Flávio Bolsonaro após crise envolvendo Daniel Vorcaro

Aliados do senador Flávio Bolsonaro relatam, nos bastidores, preocupação crescente com o impacto político da associação do parlamentar ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo interlocutores do campo conservador, o desgaste provocado pelo caso já atinge setores estratégicos da base bolsonarista, como mercado financeiro, agronegócio, lideranças evangélicas e integrantes da classe política. Nos bastidores, dirigentes partidários demonstram receio de que a imagem de Flávio possa dificultar alianças e contaminar campanhas estaduais e municipais nas eleições de 2026.

De acordo com relatos de empresários e aliados políticos, o senador enfrenta dificuldades para ampliar sua articulação fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo. No mercado financeiro, interlocutores afirmam que há resistência até mesmo a encontros reservados com o parlamentar, enquanto nomes ligados ao antigo governo, como Gustavo Montezano e Adolfo Sachsida, não seriam vistos como novidades capazes de gerar confiança adicional.

No segmento evangélico, lideranças acompanham a movimentação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, considerada por aliados como um nome que preservou capital político próprio ao evitar envolvimento direto na defesa pública de Flávio Bolsonaro.

Disputa por vice de Flávio Bolsonaro divide aliados na pré-campanha presidencial

A escolha do vice na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) tem provocado divisão entre aliados. Nos bastidores, a disputa opõe o grupo político ligado ao Centrão e a ala mais ideológica do entorno do parlamentar. Dois nomes concentram as atenções: a senadora Tereza Cristina (PP) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).

A preferência do Centrão é por Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e considerada um nome mais moderado, posição já defendida pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Já o núcleo mais próximo de Flávio Bolsonaro resiste à indicação e defende um vice sem ligação com grandes blocos políticos, apontando Romeu Zema como alternativa.

Além do alinhamento ideológico, pesa na avaliação o fator eleitoral de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, enquanto aliados também consideram critérios como articulação política, tempo de televisão e acesso ao fundo eleitoral na definição da chapa para 2026.

Lula lidera disputa presidencial, mas Flávio Bolsonaro aparece próximo, aponta pesquisa

A corrida presidencial de 2026 segue marcada pela polarização entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com levantamento nacional do Instituto Paraná Pesquisas, registrado sob o nº BR-00873/2026, Lula aparece na liderança no cenário estimulado com 41,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37,8%.

Outros nomes aparecem bem atrás, como Ronaldo Caiado (3,6%), Romeu Zema (3,0%), Renan Santos (1,2%) e Aldo Rebelo (1,1%). Os números indicam crescimento de Lula e de Flávio Bolsonaro em relação a outubro de 2025, quando o presidente tinha 37,6% e o senador aparecia com 19,2%.

Na simulação de segundo turno, o cenário mostra forte equilíbrio entre os dois principais nomes da disputa. Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registra 44,1%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O levantamento também aponta que 53,3% dos entrevistados afirmam que Lula não merece ser reeleito, enquanto 43,7% defendem a continuidade do atual mandato. A pesquisa ouviu 2.080 eleitores em 158 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal entre os dias 25 e 28 de março, com nível de confiança de 95%.

Flávio Bolsonaro diz que só desiste da candidatura com anistia do pai

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que sua pré-candidatura à Presidência é uma decisão “consciente” e construída ao longo do tempo, negando que seja um “balão de ensaio”.

Segundo ele, só deixará a corrida caso haja “justiça” para Jair Bolsonaro e para os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, condicionando sua desistência à aprovação da anistia no Congresso.

Flávio disse ainda que seu nome é “altamente competitivo” e destacou o governador Tarcísio de Freitas como principal liderança do grupo político, embora reconheça que o paulista deve priorizar a reeleição.

Em seu primeiro ato público após o anúncio da pré-candidatura, o senador participou de um culto em Brasília e admitiu que existe um “preço” para retirar o nome da disputa justamente a aprovação da anistia, que beneficiaria diretamente o ex-presidente, hoje preso após condenação.

Apesar de pesquisas mostrarem baixa preferência do eleitorado por seu nome, Flávio segue articulando apoio com lideranças do Centrão e deve levar os resultados das conversas a Jair Bolsonaro nos próximos dias.

Moraes autoriza filhos de Jair Bolsonaro a visitarem o ex-presidente na sede da PF em Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro visitem-no na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, onde ele está preso preventivamente desde sábado (22).

A decisão, publicada neste domingo (23), define que as visitas devem ocorrer separadamente e com duração máxima de 30 minutos para cada um.

Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro poderão visitar o pai nesta terça-feira (25), entre 9h e 11h. Já Renan Bolsonaro está autorizado a realizar a visita na quinta-feira (27), no mesmo horário.

Moraes também manteve liberadas as visitas dos advogados e da equipe médica, além de orientar a Polícia Federal sobre os procedimentos em caso de intercorrência médica, incluindo o acionamento do Samu como medida mais rápida e segura.

Neste domingo, Bolsonaro recebeu a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Alexandre de Moraes determina bloqueio de bens e contas de Eduardo Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (21) o bloqueio das contas bancárias e dos bens do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado no inquérito que apura a articulação de uma tentativa de golpe de Estado e ataques à soberania nacional.

A medida impede o parlamentar de realizar transações financeiras, incluindo o recebimento de doações via Pix — como as que teriam sido feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que afirmou já ter enviado cerca de R$ 2 milhões ao filho para custear sua estadia nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde março, quando tirou licença da Câmara alegando perseguição política.

A licença expirou no domingo (20), e ele ainda não retornou ao Brasil, o que pode abrir caminho para um processo de cassação por ausência injustificada, conforme o regimento da Casa.

O parlamentar é suspeito de incentivar autoridades norte-americanas a adotarem medidas contra o governo brasileiro e o STF.

Ao comentar o bloqueio durante participação em um podcast, Eduardo afirmou que “nada será encontrado”.

A decisão de Moraes reforça o cerco judicial contra a família Bolsonaro no avanço das investigações da chamada “trama golpista”.

PGE denuncia assessores de Flávio Dino por suposto acesso indevido a documentos

A denúncia feita pelo procurador-geral do Estado do Maranhão (PGE), Valdenio Nogueira Caminha, contra dois assessores do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, segue repercutindo amplamente.

Caminha acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que investigue Túlio Simões e Lucas Pereira, que teriam acessado sistemas internos da PGE para embasar uma ação no STF movida pelo partido Solidariedade, que buscava afastá-lo do cargo. Segundo a denúncia, o acesso aos documentos internos teria ocorrido dentro das dependências do STF.

Além da PGR, a PGE também acionou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator da ação, solicitando providências sobre o caso. A notícia-crime destaca que a Assessoria de Tecnologia da Informação (ATI) da PGE constatou acessos de Simões e Pereira a processos internos da procuradoria no dia 20 de fevereiro de 2025, um dia antes do protocolo do pedido de afastamento de Caminha.

O caso levanta questionamentos sobre possível violação de sigilo institucional e uso de informações privilegiadas dentro do Supremo.