CCJ deve analisar hoje pedido de cassação da deputada Carla Zambelli

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve apreciar nesta terça-feira (2) o processo que pode resultar na cassação do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O relator do caso, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), deve apresentar seu parecer durante a sessão, mas um pedido de vista pode adiar a votação.

Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em decisão definitiva que não cabe mais recurso. Por determinação constitucional, cabe à Câmara decidir se ela perde ou não o mandato, apesar de o STF já ter estabelecido a cassação.

Fora do Brasil desde maio, Zambelli está presa em Roma, incluída na difusão vermelha da Interpol, e aguarda decisão da Justiça italiana sobre sua extradição, com nova audiência marcada para 4 de dezembro.

Após a análise da CCJ, o caso seguirá para o plenário da Câmara, onde serão necessários ao menos 257 votos para confirmar a cassação.

A deputada tem negado envolvimento no ataque ao sistema do CNJ e chegou a participar remotamente de audiência sobre o caso, trocando acusações com o hacker Walter Delgatti, também condenado. Enquanto isso, sua defesa tenta evitar a extradição, mas a Justiça italiana mantém a prisão sob alegação de risco de fuga.

Nos EUA, Zambelli pede que apoiadores mandem denúncias de ‘censura’

Após viajar para os Estados Unidos para “cumprir agendas pessoais” e “estudar meios de assegurar e restaurar a liberdade de expressão no Brasil junto a autoridades americanas”, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) voltou a surgir nas redes sociais para anunciar que está no país norte-americano “juntando provas” de supostas censuras do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para levar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

“Nós estamos juntando provas para a gente poder levar na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde eu tenho uma visita marcada na terça-feira (8). Por esse motivo, eu peço que você, se você tivesse sido censurado pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por favor manda sua denúncia para a gente.[…] A gente vai juntar a sua denúncia com a nossa e vamos levar à Comissão. Coloque os ‘prints’, junte todas as provas que você tiver e, se realmente houve censura, a gente vai reportar a essa Comissão”, diz a deputada em um vídeo compartilhado nas redes sociais de alguns bolsonaristas, a exemplo de Dárcio Bracarense (PL-ES), que este ano disputou uma vaga de deputado federal e ficou como suplente.