
Um delator afirmou à Polícia Federal do Brasil ter sido alvo de retaliação dentro do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão após interromper pagamentos ligados à suposta compra de decisões judiciais.
Segundo o depoimento, o rompimento financeiro teria provocado uma sequência de decisões desfavoráveis em ritmo acelerado. O caso é investigado na Operação Inauditus, deflagrada na quarta-feira (1º), que apura um esquema de comercialização de sentenças judiciais envolvendo magistrados e outros profissionais.
De acordo com a investigação, o desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior teria passado a atuar diretamente contra o delator após a suspensão dos pagamentos. Um dos episódios citados envolve uma ação de reintegração de posse em que uma liminar foi concedida cerca de duas horas após a redistribuição do processo, com suspeita de negociação envolvendo aproximadamente 2 mil hectares de terra.
Durante a operação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados e dois desembargadores foram afastados, além de Guerreiro Júnior, também Luiz de França Belchior Silva.
As equipes apreenderam celulares, mídias digitais, veículos de luxo, dinheiro em espécie, joias e até um helicóptero, enquanto as investigações também alcançam juízes, advogados, empresários e ex-servidores suspeitos de participação no esquema.
